TCE aponta irregularidades em contratações de Consórcios de Saúde do Ceará

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O Tribunal de Contas do Estado do Ceará (TCE-CE) identificou uma série de irregularidades nos Consórcios Públicos de Saúde, responsáveis pela gestão de policlínicas e Centros de Especialidades Odontológicas no interior do estado. O principal problema está no uso excessivo de contratos temporários, que substituem as vagas efetivas previstas em lei.
Segundo o levantamento, nenhum dos quatro consórcios fiscalizados — Crato, Quixadá, Sobral e Vale do Curu (Cisvale) — possuía servidores efetivos. Todos funcionavam apenas com empregados temporários ou comissionados. Em alguns casos, contratos temporários chegam a ultrapassar uma década de duração, embora o limite máximo previsto seja de dois anos.
Principais irregularidades encontradas
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Excesso de temporários e ausência de concursados:
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Crato: 300 temporários, apesar de 139 vagas efetivas previstas.
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Quixadá: 109 contratados (104 temporários e 5 comissionados), frente a 146 efetivos previstos.
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Sobral: 141 temporários, quando deveria ter 103 efetivos e 7 comissionados.
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Cisvale: 163 contratados (157 temporários e 6 comissionados), mesmo com 97 cargos efetivos previstos.
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Contratos de longa duração: Nos consórcios de Sobral e do Vale do Curu, há temporários atuando há mais de 10 anos. No Cisvale, 91 empregados permanecem desde uma seleção de 2012.
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Falta de critérios nas nomeações: O TCE apontou fragilidades nas escolhas para cargos de direção, muitas vezes feitas por livre indicação, sem comprovação da qualificação exigida por decreto estadual.
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Acúmulo de vínculos empregatícios: Foram identificados profissionais com três ou mais vínculos públicos, em desacordo com a Constituição. Um médico chegou a registrar seis vínculos simultâneos.
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Conflito de interesse: No Crato, um empregado do consórcio é sócio de empresa contratada para prestar serviços médicos.
Reações e justificativas
A Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa) informou que os consórcios têm autonomia administrativa e financeira, e que um grupo de trabalho com participação do Ministério Público e representantes dos consórcios discute soluções para os problemas.
Alguns consórcios rebateram os apontamentos do TCE. O de Crato afirmou que todos os diretores foram selecionados em processo realizado pela Escola de Saúde Pública e aprovados em assembleia. Já o de Sobral sustentou que segue regras próprias, garantindo “segurança jurídica” às nomeações.
Ministério Público entra em cena
O Ministério Público do Ceará (MPCE) também acompanha o caso. Para a promotora Karine Leopércio, coordenadora do Caosaúde, a manutenção de contratos temporários representa ilegalidade e precisa ser corrigida. “Os consórcios já funcionam há mais de dez anos. É uma política perene e deve ser estruturada com servidores efetivos”, afirmou.
O MPCE cobra que até novembro os consórcios e o Governo do Estado apresentem propostas para substituição dos temporários por concursados.
Próximos passos
Com a atuação conjunta do TCE e do MPCE, a expectativa é que haja padronização na gestão de pessoal dos consórcios, com maior transparência, regularização dos vínculos trabalhistas e adoção de concursos públicos.