Interdição dos serviços de enfermagem no Sul do Piauí
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Os atendimentos de enfermagem em unidades de saúde de duas cidades do Sul do Piauí foram interditados pelo Conselho Regional de Enfermagem (Coren-PI) após a constatação de diversas irregularidades. As fiscalizações ocorreram no Hospital Municipal Mãe Maria, em Jurema, e na Unidade Mista de Saúde de São José do Peixe. Até a última atualização da reportagem, as prefeituras dos dois municípios não haviam se manifestado sobre o caso.
Em Jurema, o setor de enfermagem do Hospital Municipal Mãe Maria foi suspenso nesta sexta-feira (6). Segundo o Coren-PI, a medida foi necessária após a fiscalização identificar problemas que comprometiam a segurança da assistência prestada à população. Entre as irregularidades encontradas estavam a ausência completa de enfermeiros durante o período noturno, quando os atendimentos eram realizados apenas por técnicos de enfermagem. Também foram constatados prontuários incompletos, ausência de carimbo profissional e a não implementação do Processo de Enfermagem. Além disso, o hospital apresentava mofo, equipamentos danificados, armazenamento inadequado de medicamentos de uso restrito, sala de esterilização em condições precárias e presença de vegetação e insetos na área interna.
Já na cidade de São José do Peixe, a Unidade Mista de Saúde teve os serviços de enfermagem interditados após fiscalização realizada na quinta-feira (5). O órgão informou que o enfermeiro responsável técnico havia se desligado sem que fosse feita a nomeação formal de um substituto. A equipe constatou ainda que não havia enfermeiros disponíveis 24 horas, além da ausência de manual de normas e rotinas. O Coren também apontou déficit de profissionais e falta de cálculo de dimensionamento da equipe.
Durante a interdição, os profissionais de enfermagem dessas unidades estão impedidos de exercer suas atividades. No entanto, os pacientes que já estavam internados ou em atendimento seguem recebendo assistência garantida. O presidente do Coren-PI, Samuel Freitas, destacou que a medida é extrema e só é adotada quando todas as tentativas de resolução por meio de diálogo e conciliação são esgotadas.
“Trata-se de uma decisão necessária para proteger os profissionais de Enfermagem e a população, diante de um cenário que oferece riscos à assistência. Esperamos que a situação seja contornada o quanto antes, com a regularização das inconformidades, para que os serviços possam ser restabelecidos com segurança e qualidade”, afirmou.
A interdição se aplica exclusivamente aos serviços de enfermagem e permanecerá em vigor até que os municípios comprovem a regularização das inconformidades apontadas pelo Conselho.