Brasil registra um caso de envenenamento a cada duas horas

 Brasil registra um caso de envenenamento a cada duas horas

wp header logo 282.png

#Compartilhe

Uma pesquisa divulgada pela Associação Brasileira de Medicina de Emergência (Abramede) revela um cenário alarmante sobre os casos de envenenamento no Brasil ao longo de 15 anos. Entre 2009 e 2024, a rede pública de saúde registrou 45.511 atendimentos de emergência que necessitaram de internação devido a envenenamento. Esse número representa uma média de 12,6 casos por dia, ou seja, uma pessoa a cada duas horas deu entrada em uma emergência por intoxicação.

Além dos envenenamentos acidentais, a pesquisa destaca que 3.461 desses casos foram intoxicações propositais causadas por terceiros. A Abramede alerta para a facilidade de acesso a substâncias tóxicas, a falta de regulamentação e fiscalização, e a impunidade, muitas vezes em crimes cometidos em contextos íntimos com motivações emocionais.

O levantamento detalha quais são as substâncias mais envolvidas nesses incidentes:

  • Produtos químicos: Lideram a lista, com 6.556 casos de envenenamento por produtos químicos não especificados, seguidos por 5.104 casos por substâncias químicas nocivas.
  • Drogas e medicamentos: Um total de 6.407 casos está ligado a envenenamentos por drogas, medicamentos e substâncias biológicas.
  • Envenenamentos acidentais: Nesse recorte, o destaque vai para o uso excessivo de analgésicos e medicamentos para dor e febre, que causaram 2.225 casos. Em seguida, vêm os pesticidas (1.830 casos), o álcool (1.954 casos) e os anticonvulsivantes, sedativos e hipnóticos (1.941 casos).

O Sudeste concentra quase metade de todos os casos de internação por envenenamento, com mais de 19 mil ocorrências. São Paulo (10.161 casos) e Minas Gerais (6.154 casos) são os estados mais afetados. Em segundo lugar, está a Região Sul, com 9.630 atendimentos, com destaque para Paraná e Rio Grande do Sul. O Nordeste registrou 7.080 casos, o Centro-Oeste 5.161, e a Região Norte 3.980.

A maioria das vítimas é do sexo masculino (23.796 registros). As faixas etárias mais vulneráveis são adultos jovens entre 20 e 29 anos (7.313 casos) e crianças de 1 a 4 anos (7.204 casos). Bebês com menos de um ano e idosos acima de 70 anos são os grupos com menor incidência de internações.

A Abramede relembrou exemplos recentes e chocantes de envenenamento proposital, que mostram a gravidade da situação:

  • Dezembro de 2024 (Torres, RS): Três pessoas de uma mesma família morreram após comerem um bolo contaminado com arsênio. A nora da vítima que preparou o bolo foi presa.
  • Janeiro de 2025 (Parnaíba, PI): Nove pessoas ficaram intoxicadas e cinco morreram, incluindo um bebê, após consumirem uma refeição adulterada com inseticida durante uma ceia de Réveillon.
  • Abril de 2025 (Imperatriz, MA): Duas crianças perderam a vida após comerem um ovo de Páscoa envenenado.
  • Abril de 2025 (Natal, RN): Uma bebê de 8 meses morreu e uma mulher ficou em estado grave após consumirem um açaí envenenado, que teria sido enviado como presente.

source

Relacionados

Abrir bate-papo
Olá 👋
Podemos ajudá-lo?