Polícia investiga morte de terapeuta piauiense após procedimento de retirada de óvulos em SP
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A Polícia Civil de São Paulo está a investigar como “morte suspeita” o falecimento da terapeuta piauiense Gabriela Moura, de 31 anos, ocorrido após um procedimento de retirada de óvulos para fertilização in vitro (FIV) numa clínica particular na Zona Sul de São Paulo. A jovem sofreu uma parada cardiorrespiratória no dia 17 de fevereiro de 2026 e, após ser transferida e passar sete dias internada na Unidade de Cuidados Intensivos (UCI) do Hospital Sírio-Libanês, teve a sua morte encefálica confirmada no dia 24 do mesmo mês. De acordo com o prontuário médico, a causa provável do óbito foi uma lesão cerebral provocada pela falta de oxigenação, associada a hipertensão intracraniana.
Imagens das câmeras de segurança da Clínica Genics, que estão sem áudio, registaram os momentos de desespero durante o atendimento à paciente. As gravações mostram desde a movimentação no circuito interno até o momento em que Gabriela é transportada numa maca para a ambulância. O marido da terapeuta, o médico
Samuel Moura, aparece nas imagens a acompanhar o socorro e a ser consolado por uma médica. Ele relatou que a esposa já se encontrava entubada e cercada por profissionais quando se apercebeu da gravidade da situação. A família questiona a assistência prestada e estima que Gabriela possa ter ficado cerca de 15 minutos sem oxigenação adequada no cérebro até que os batimentos cardíacos fossem restabelecidos, o que resultou em lesões irreversíveis.
O caso está sob os cuidados do 4º Distrito Policial da Consolação, que analisa hipóteses como uma possível falha médica, reação à anestesia ou alguma condição preexistente de saúde que não tenha sido detetada nos exames prévios. A Secretaria de Segurança Pública informou que as investigações prosseguem e aguarda a conclusão dos laudos do Instituto Médico Legal (IML) e de exames complementares, como o teste toxicológico, para esclarecer o que de facto desencadeou a paragem cardiorrespiratória.
Em depoimento, o anestesista responsável afirmou ter seguido todos os protocolos de emergência, incluindo massagem cardíaca, medicação e intubação, após notar as dificuldades respiratórias da paciente. Já a ginecologista responsável pela recolha, Dra. Aline Leite Nogueira, declarou que o procedimento durou cerca de 10 minutos e decorreu dentro da normalidade, tendo sido acionada apenas quando a paciente começou a apresentar complicações na recuperação.
Gabriela era descrita como uma pessoa jovem, saudável e bastante ativa, que costumava praticar desporto, participar em corridas de 21 km e partilhar conteúdos sobre qualidade de vida nas redes sociais. Ela e o marido planeavam a primeira gravidez e completariam oito anos de casados ainda em 2026. Após a confirmação da morte, a família optou pela doação de órgãos e o corpo foi sepultado no Piauí, estado onde o casal se conheceu.
Em posicionamento oficial, a Clínica Genics, que atua na área de reprodução assistida há mais de 16 anos, afirmou que a fertilização in vitro é um procedimento seguro e com índices de mortalidade extremamente baixos (menos de um caso por 100 mil ciclos). A instituição garantiu que a paciente foi considerada plenamente apta em avaliações clínicas prévias e que todos os protocolos de socorro e transferência rápida foram devidamente adotados.
A clínica reforçou ainda que está a colaborar integralmente com as autoridades ao fornecer prontuários e documentos, mas que não se manifestará sobre detalhes específicos enquanto a investigação decorrer. Por sua vez, o Hospital Sírio-Libanês confirmou a receção da paciente transferida após uma intercorrência, mas ressaltou que, por respeito ao sigilo médico e à privacidade dos familiares, não divulgará informações clínicas sem autorização expressa da família.